Gisela Simona afirma sofrer preconceito por ser mulher, negra e pouco experiente na política

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Depois de estreiar na política com a conquista de 50.682 votos para deputada federal, Gisela Simona se sente apta a participar de outros pleitos em busca de uma eleição.

Cotada como uma liderança política em ascenção, a advogada e superintendente do Procon-MT elegeu a defesa do consumidor como sua bandeira. Também se mantém engajada pró-servidores públicos, e, apesar da predileção pelo Poder Legislativo, está disposta a encarar o páreo pelo Poder Executivo da Capital.

Apesar do cenário favorável, Gisela afirma sofrer muito preconceito por ser mulher, negra, pouco experiente em política partidária e por não ter um padrinho político. Mas ao mesmo tempo em que essas questões parecem ser um problema, ela avalia que é o que a aproxima da população, que de alguma forma busca renovação.

Confira a entrevista de Gisela Simona para o site RD NEWS:

Teu nome foi uma revelação nas eleições 2018, com 50.682 votos, que lhe garantiu a suplência de deputada federal. Quando você tomou a decisão pela política e o que te motivou?

Anterior ao ano passado, eu era aquela cuiabana que tinha até ojeriza da política. Como servidora pública tivemos todo aquele embate da RGA, que eu senti não só como servidora, como também acabei assumindo a presidência no Fórum Sindical, e uma das conclusões que saímos após a greve, é que precisávamos no parlamento federal e estadual, de gente com nosso DNA, que fosse servidor público. Foi aí que surgiu essa vontade. Quando coloquei meu nome foi para ser opção e não sabia que iria ser candidata. Como era uma experiência, e como nunca fui testada nas urnas, se era para ir ao sacrifício, optei por concorrer à federal.

Na sua trajetória enquanto servidora, um episódio que chamou atenção foi tua exoneração da superintendência do Procon. O que pesou para essa decisão do então governador Pedro Taques (PSDB)? Isso também te impulsionou a se engajar na política como forma de mudar o cenário da gestão do Poder Executivo estadual?

Quando fui exonerada não tive justificativa, foi até o que me impulsionou a fazer um desabafo nas redes sociais. Exatamente naquele momento, a gente enfrentava algumas bandeiras pesadas dentro da defesa do consumidor, como a questão do combustível, o transporte coletivo e a energia elétrica que começava a se agravar. Entendo que o cargo comissionado está à disposição do Governo, ele tira e coloca quem quiser sem precisar justificar. Mas acredito que até por uma questão humana, o mínimo era ter avisado, e eu fiquei sabendo apenas pelo Diário Oficial. Isso me chocou muito. Estava claro que existia interesse na minha exoneração, que não era apenas um ato de discricionariedade. Eu fiquei decepcionada, porque eu votei no governo Pedro Taques, por ser da área da Justiça, alguém que foi promotor, o perfil que ele tinha, pensava que era para moralizar e colocar ordem. Naquele momento ainda não tinha intenção de participar da política.

Depois do resultado das eleições, você começou a se enxergar como política e se sente credenciada para outras disputas?

A eleição criou um capital político. Quando analiso números, e percebo que tive 12% dos votos válidos de uma Capital, é algo muito significativo. Eu entendi que de alguma forma as pessoas estavam captando a mensagem que eu gostaria de passar. A forma como fizemos a campanha, de mãos limpas e com pouquíssimos recursos financeiros, prazo curto de tempo sem planejamento prévio, me faz acreditar que existe um grupo muito grande de pessoas que quer a renovação e que quer mudanças, e isso me motivou a ter esperança que é possível mudar. Quando a gente percebe que a política tem a capacidade de mudar os fatos, nos dá esperança.

Seu partido, o Pros, já lhe deu aval para disputar as eleições em 2020, em Cuiabá. É possível montar uma frente de centro-esquerda para disputar essas eleições sob sua liderança?

É possível. Existem dois municípios no Brasil que o diretório nacional do Pros já deliberou e vai ajudar, que é Cuiabá e Fortaleza, e isso me deixa muito feliz do ponto de vista em ter um apoio estrutural para as eleições. O que falta agora são as articulações. Já fizemos uma primeira reunião com os partidos de centro-esquerda, estamos buscando o que temos em comum, como não ser a favor do atual prefeito. Não estamos trabalhando com nenhum compromisso individual de que alguém seja cabeça de chapa. Qualquer decisão neste sentido depende muito de pesquisa. A primeira reunião que fizemos, a deliberação foi para que tenhamos uma análise da conjuntura como está. Sabemos que os maiores partidos têm quase uma obrigação de lançar candidatura nas capitais, pode ser que tenhamos uma dificuldade neste sentido.

E você se coloca como opção para ser cabeça de chapa?

Sinto um preconceito, muitos pensando em Gisela Simona como candidata à vice, seja porque sou mulher, negra, com pouco tempo de vida político-partidária e por não ter um padrinho político. Por outro lado, essas características que, para o meio político gera preconceito, para o povo eu acredito que é que me identifica com eles. As pessoas quando pensam em Gisela Simona acreditam que podem acreditar em mim extamente porque estou fora do padrão tradicional da política. Mas, o Pros tem buscado uma candidatura para majoritária, não para vice, e sim como cabeça de chapa. Por outro lado, temos humildade suficiente para reconhecer se meu nome não for o melhor, estamos prontos para recuar se não for o melhor, mas jamais deixaremos de tentar uma cabeça de chapa seja porque somos um partido pequeno ou porque subestimamos nossa capacidade.

 

Fonte e foto: RD NEWS

 

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