Moro garante que tem provas documentais contra Bolsonaro

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Segundo os jornalistas Andreza Matais e Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo, interlocutores do ex-ministro relataram ao Estado que Moro e Bolsonaro tiveram inúmeras conversas, pessoais e de governo, especialmente pelo WhatsApp, canal usado pelo presidente para dar ordens aos subordinados.

 

Interlocutores do ex-ministro da Justiça relataram que ele e o presidente tiveram inúmeras conversas, pessoais e de governo –especialmente pelo WhatsApp, canal usado por Bolsonaro para dar ordens aos subordinados.

 

Essas fontes observaram que Moro tem uma experiência de 22 anos como juiz criminal e sabe, como poucos, que não se acusa alguém sem provas concretas.

 

Pelo menos sete crimes que Bolsonaro teria cometido foram apontados pelo ex-ministro em seu pronunciamento desta sexta (24). Moro surpreendeu até sua equipe ao revelar com detalhes que o presidente manifestou interesse em interferir na autonomia da PF –ordens que ele nunca repassou.

 

A afirmação clara e detalhada feita por Moro de que Bolsonaro queria interferir na autonomia da Polícia Federal pegou até membros mais próximos de sua equipe, de acordo com os jornalistas.

 

SAÍDA DE MORO

 

O ex-juiz federal, alçado ao holofotes do combate à corrupção por sua atuação frente a Operação Lava-Jato, deixa o governo depois de o presidente exonerar Mauricio Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal.

“Para mim, esse último ato (de exonerar Valeixo) é uma sinalização que o presidente me quer fora do cargo (…). Eu não tinha como aceitar essa substituição em respeito a minha biografia. Seria um tiro na Lava Jato se houvesse substituição de delegados, superintendentes e etc. Preciso preservar meu compromisso que fiz com o presidente de que seríamos firmes no combate à corrupção, crime organizado e violência”.

O ex-ministro alertou que a troca seria uma interferência política na PF e que Bolsonaro concordou que seria mesmo. “Essa interferência pode levar a relações impróprias entre diretor e superintendentes com o presidente e isso eu não posso concordar”, destacou. “O grande problema não é quem entra (na diretoria-geral da PF), e sim porque entra”, completou.

A troca de Valeixo seria, para Moro, uma violação da “carta branca” que ele teria recebido de Bolsonaro para que pudesse realizar nomeações nos escalões do Ministério da Justiça.

“Não é uma questão do nome, tem outros bons nomes para o cargo de diretor da PF, outros delegados competentes. O problema de realizar essa troca é que haveria uma violação na promessa de que me foi feita de que eu teria carta branca. Em segundo lugar, não haveria uma causa para essa substituição. E estaria claro que estaria havendo uma interferência política na Polícia Federal”.

Moro classificou como “ofensiva” a publicação no Diário Oficial da União da exoneração “a pedido” de Valeixo. Segundo o agora ex-ministro, Valeixo nunca haveria pedido a demissão.

 

AUTONOMIA AMEAÇADA

 

Moro disse, em seu pronunciamento no fim da manhã desta sexta-feira (24), que Bolsonaro sinalizou que gostaria de nomear um diretor da PF em que pudesse “ligar, pudesse colher informações e colher relatórios de inteligência”.

“Não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informações, as investigações têm que ser preservadas. Imagine se durante a Lava Jato, os ministros, a ex-presidente Dilma, o ex-presidente Luiz (Inácio Lula da Silva) ficassem ligando para diretores, superintendentes em Curitiba e pedindo informações”.

Segundo Moro, Bolsonaro passou a insistir na troca do comando da PF a partir do 2º semestre de 2019. O primeiro indício, segundo Moro, foi a intenção de Bolsonaro ao trocar o superintendente da PF no Rio de Janeiro.

O ex-juiz fez questão de destacar que nem durante os governos petistas a autonomia da Polícia Federal diante aos outros poderes foi desrespeitada.

“Desde 2014, quando estava a frente da Lava Jato, sempre tive preocupação constante de uma haver uma interferência do Executivo nos trabalhos da investigação. Seja através de de trocas de diretor-geral ou troca de superintendentes. Mesmo assim, foi garantida a autonomia da PF. É certo que o governo dessa época tinha inúmeros defeitos, crimes gigantes, mas foi fundamenta a autonomia da PF para realizar esse trabalho. Seja de bom grado ou por pressão da sociedade, a autonomia foi mantida”.

 

Fonte: Valor Econômico

Foto Reprodução

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