Com Cuiabá na Série A, Arena deixa de ser elefante branco

Screenshot_20210403-205557_Chrome

Um dos 12 estádios construídos ou reformados no Brasil para a Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal completou nesta última sexta-feira (2), sete anos de seu jogo de inauguração.

Mais do que a data comemorativa, o ano é importante porque pela primeira vez há uma perspectiva de realização de jogos de elite com frequência no local, graças ao acesso do Cuiabá à Série A do Brasileirão.

Além da Arena Pantanal, Arena da Amazônia, Arena das Dunas, Arena Pernambuco e Mané Garrincha desde o Mundial se tornaram “elefantes brancos”, estádios que só recebem jogos de pouco apelo ou caça-níqueis de empresários em acordo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e grandes clubes, principalmente do Rio de Janeiro — até um esquema de corrupção na venda de mandos foi descoberto.

Em 2021, porém, a arena passa a ser um estádio que não depende mais de “favores” para ter futebol de alto nível. Fundado em 2001, o Cuiabá Esporte Clube subiu para a Série A junto com Chapecoense, América-MG e Juventude e colocou o Mato Grosso na elite após 25 anos. O time usa o estádio desde a inauguração.

Esforço para ocupar uma arena na Copa

A família Dresch, dona de indústrias de borracha no Mato Grosso e que já havia patrocinado a equipe, comprou a operação do clube em 2009 justamente em razão do projeto da Arena Pantanal e perspectivas de futuro.

De alguma forma, uma das iniciativas de Fifa e CBF na época da Copa acabou cumprida com o desenvolvimento do futebol em regiões periféricas. Mesmo que a longo prazo e custo.

Para Alberto Machado, secretário de Cultura, Esporte e Lazer (MT), o acesso do Cuiabá no Brasileirão é “um diferencial para a ativação completa da Arena Pantanal”.

No ano inteiro de 2017, o estádio recebeu apenas 22 partidas, o que motivou um processo de “reutilização” de suas áreas, ou seja, aproveitar o prédio público ocioso para alguma função útil.

Atualmente, além dos jogos do Cuiabá e de outros clubes da região metropolitana, a Arena Pantanal abriga a Escola Arena (Escola Estadual Governador José Fragelli, para cerca de 400 alunos do 7º ano Fundamental até o 1º ano Médio), a secretaria adjunta de Esporte e Lazer do Estado, uma unidade do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), um centro de arrecadação de alimentos e também o Centro de Triagem da Covid na capital.

E, como em outras partes do país, o estádio também acabou aproveitado na operação de combate à covid-19.

Manutenção

A Arena Pantanal é mantida e administrada pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do Estado, e o custo de manutenção anual varia entre R$ 3,6 milhões e R$ 3,8 milhões, sendo a maior parte de energia elétrica. Toda utilização, para partidas ou eventos, é analisada pelo governo, que cobra 8% das receitas de jogos do clube mandante, seja ingresso, bar e afins.

Na pandemia, este valor foi a zero, mas o Cuiabá e a Federação Mato-grossense se encarregaram dos cuidados com o gramado.

Com a possibilidade de aumento das despesas devido às demandas da Série A, estão sendo planejadas parcerias com a iniciativa privada para dividir gastos, porque há preocupações com a estrutura do entorno e imperfeições internas.

A Arena Pantanal custou aos cofres públicos cerca de R$ 630 milhões e recebeu quatro jogos da Copa do Mundo de 2014.

Equipe forte

O Cuiabá é um dos times da elite do Brasileirão que mais investiu no mercado da bola este ano, e a representatividade dos nomes mostra um pouco da ambição de formar um elenco de Série A.

Entre as principais novidades estão o goleiro Walter, de 91 jogos e sete temporadas no Corinthians, o lateral-esquerdo Uendel, ex-Corinthians e Internacional, o zagueiro Paulão, ex-Vasco e Fortaleza, o volante Camilo, emprestado pelo Lyon-FRA, e os atacantes Jonathan Cafu e Clayson, cedidos até o fim da temporada por Corinthians e Bahia, respectivamente.

“Assim que confirmamos o acesso já começamos a nos preparar. É um grande desafio jogar a Série A e permanecer nela. O Cuiabá representa um estado e uma região do Brasil que vem crescendo muito nos últimos anos, principalmente por conta do agronegócio, e a gente quer representar essa região de maneira digna. Sabemos das nossas limitações, mas estamos trabalhando para estabelecer a nossa permanência na Série A”, diz o vice-presidente Cristiano Dresch.

Restava a definição sobre quem seria o treinador do time na missão Série A. Allan Aal, que dirigiu o acesso, saiu em fevereiro para o Guarani. Nomes como Tiago Nunes, sem clube, e Umberto Louzer, da Chapecoense, foram procurados, mas o clube de Mato Grosso anunciou ontem (1º) a contratação de Alberto Valentim, ex-Botafogo.

Fonte Midia News / Foto Reprodução

Anúncio

Deixe um Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *