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Éder Pinheiro: do menino de Barão de Melgaço ao fundador da Banda Novo Som, uma vida escrita no ritmo do lambadão

Homenageado com a Comenda Augusto Leverger – “O Barão de Melgaço”, artista construiu uma trajetória de cerca de duas décadas entre festivais de calouros, primeiras bandas, grandes palcos e a consolidação de um dos projetos mais conhecidos do lambadão mato-grossense

Por Da Redação | Coluna Cultural

Antes dos grandes palcos, das multidões e do reconhecimento como um dos nomes ligados ao lambadão mato-grossense, existia apenas um menino de Barão de Melgaço com uma paixão pela música e a vontade de cantar.

É dessa simplicidade que começa a história de Éder Gomes Pinheiro.

Nascido e criado em uma realidade humilde, Éder encontrou ainda jovem nos festivais de calouros uma oportunidade para revelar um talento que, com o passar dos anos, deixaria de ser apenas uma paixão para se transformar em profissão. Foram os primeiros palcos, as primeiras apresentações e o contato com o público que começaram a moldar o artista.

A trajetória, entretanto, não aconteceu de forma imediata. Antes de construir seu próprio nome, Éder passou por diferentes experiências musicais que seriam fundamentais para sua formação. Entre elas estão a JL Banda Show e Os Meninos de Barão, grupos que fizeram parte de seus primeiros passos e ajudaram a transformar o jovem cantor em um artista preparado para enfrentar a estrada.

Foram anos de aprendizado, ensaios, apresentações em festas e eventos populares, viagens e muitos quilômetros percorridos em busca de espaço.

Até que Éder decidiu dar um passo que mudaria definitivamente sua história: criar a própria banda.


O nascimento da Banda Novo Som

A Banda Novo Som nasceu a partir da iniciativa de Éder Pinheiro, que se tornou seu fundador e uma das figuras centrais na construção da identidade do grupo.

A criação da banda representou um momento decisivo. O jovem que havia começado nos festivais de calouros agora passava a construir o próprio projeto musical.

E a aposta estava diretamente ligada às raízes que o acompanharam desde Barão de Melgaço: a música popular e, especialmente, o lambadão mato-grossense.

Com o passar dos anos, a Novo Som deixou de ser apenas uma banda ligada ao circuito local e passou a conquistar espaço em diferentes municípios de Mato Grosso.

Registros públicos mostram a presença do grupo em importantes programações culturais do Estado. A banda esteve, por exemplo, em eventos como a Expoagro Cuiabá e o Festival Internacional de Pesca Esportiva de Cáceres, além de diversas festas e programações municipais.

Em 2023, a Prefeitura de Diamantino apresentou a Banda Novo Som como uma das atrações de sua programação e registrou Éder Pinheiro como vocalista do grupo, destacando a diversidade de seu repertório, que inclui lambadão, xote, rasqueado, zouk, carimbó, lambada clássica e vanerão.

A estrada começava a transformar o projeto criado por Éder em uma referência dentro do circuito regional.


O menino que virou empresário da própria música

A trajetória de Éder também revela uma transformação que vai além do palco.

Com o crescimento da banda, vieram novas responsabilidades: contratação de shows, produção, estrutura, logística, divulgação e toda a complexa engrenagem que existe por trás de uma apresentação musical.

Éder passou a atuar também como empreendedor do setor cultural.

Registros públicos identificam sua atuação como responsável pela representação da Banda Novo Som em contratos de apresentações e, posteriormente, como sócio-administrador da Novo Som Produções Artísticas e Eventos, empresa sediada em Barão de Melgaço ligada à produção artística e organização de eventos.

É uma mudança significativa.

O artista que começou procurando uma oportunidade para cantar passou a participar também da construção do mercado que permite que outros artistas subam ao palco.

Éder deixou de ser apenas músico para se tornar também empresário da música.


Duas décadas de estrada

São aproximadamente 20 anos de trajetória artística.

Duas décadas representam muito mais do que tempo de carreira.

Significam milhares de horas de ensaio, apresentações, viagens, mudanças de repertório, formação de equipe, relacionamento com o público e adaptação às transformações do mercado musical.

Éder atravessou diferentes momentos da música regional sem abandonar suas raízes.

E talvez esteja justamente aí uma das características mais marcantes de sua trajetória.

Enquanto a indústria musical mudou, o lambadão continuou sendo uma parte essencial de seu trabalho.


Um artista de uma geração que mantém o lambadão vivo

A história de Éder está inserida em uma tradição musical muito maior.

O lambadão mato-grossense nasceu e se desenvolveu especialmente na Baixada Cuiabana, tornando-se uma das manifestações mais populares da cultura regional.

O ritmo atravessou décadas, gerações e transformações.

Artistas como Chico Gil, considerado um dos grandes responsáveis pela popularização do gênero, ajudaram a construir essa história.

Em 2019, o lambadão foi reconhecido oficialmente pelo Estado de Mato Grosso como movimento cultural e musical de caráter popular.

Éder pertence a uma geração que recebeu esse legado e passou a responsabilidade adiante.

Em 2024, o artista participou, inclusive, de um projeto que reuniu diferentes gerações do lambadão em uma homenagem a Chico Gil, aproximando nomes históricos do gênero e artistas contemporâneos.

O episódio simboliza bem o lugar que Éder ocupa na história recente do ritmo.

Ele não está entre os pioneiros que criaram o lambadão.

Mas está entre aqueles que receberam essa herança e ajudaram a mantê-la viva para uma nova geração.


A música que leva o nome de Barão de Melgaço

Existe ainda uma dimensão particularmente importante na trajetória de Éder: sua relação com a cidade onde tudo começou.

Mesmo depois de alcançar outros municípios e grandes eventos, sua história permaneceu ligada a Barão de Melgaço.

A cidade não foi apenas seu local de nascimento.

Foi o lugar onde nasceu o sonho.

Foi onde aconteceram os primeiros contatos com a música.

Foi onde surgiram as primeiras experiências em bandas.

E foi também onde nasceu o projeto que se transformaria na Banda Novo Som.

Por isso, a escolha de Éder para receber a Comenda Augusto Leverger – “O Barão de Melgaço” carrega um simbolismo especial.

A honraria, criada pela Associação dos Filhos e Amigos de Barão de Melgaço (AFAB), reconhece sua trajetória como artista e empresário e sua contribuição para a cultura, a arte, o desenvolvimento e a divulgação do município.

É como se a cidade reconhecesse aquele que saiu de suas ruas, ganhou a estrada e passou a levar seu nome para outros lugares.


A Comenda Augusto Leverger

A homenagem a Éder integra a primeira edição da Comenda Augusto Leverger – “O Barão de Melgaço”, criada para reconhecer personalidades que contribuíram para a construção da identidade e da história do município.

Ao lado de Éder, também serão homenageados Neder Ribeiro do Nascimento e Arnaldo Dias Gonçalves.

São três trajetórias diferentes.

Neder representa a educação, a memória e a cultura.

Arnaldo representa o empreendedorismo e a contribuição para o desenvolvimento da comunidade.

Éder representa a música, a arte, o empreendedorismo cultural e a projeção da identidade melgacense através dos palcos.

A escolha de Augusto Leverger como patrono da comenda também estabelece uma ligação simbólica com a história regional.

A honraria não pretende apenas celebrar pessoas conhecidas.

Pretende registrar trajetórias.


Da primeira vez em um palco à medalha

Talvez o aspecto mais significativo da história de Éder seja justamente a distância entre o começo e o momento atual.

De um lado, está o menino de origem humilde, que encontrou nos festivais de calouros a primeira oportunidade de cantar.

Depois vieram a JL Banda Show, Os Meninos de Barão e outras experiências que ajudaram a formar o artista.

Então veio a decisão de fundar a Banda Novo Som.

Vieram os palcos maiores.

As viagens.

Os municípios.

As grandes festas.

O reconhecimento.

O empreendedorismo.

E, finalmente, a homenagem.

A medalha não criou a trajetória.

A medalha apenas registra uma trajetória que já foi construída ao longo de décadas.


Mais do que uma homenagem a um cantor

Éder Pinheiro será lembrado pela voz, pelo palco e pela Banda Novo Som.

Mas sua história é maior do que isso.

É a história de alguém que conseguiu transformar uma experiência artística iniciada ainda jovem em uma atividade profissional consolidada.

É a história de um artista que permaneceu ligado às suas origens.

É a história de um fundador que transformou uma ideia em uma banda reconhecida no cenário regional.

E é também a história de alguém que ajudou a manter um dos ritmos mais populares de Mato Grosso circulando entre diferentes gerações.

O lambadão mudou. O mercado mudou. As plataformas mudaram. O jeito de consumir música mudou. Mas Éder continuou na estrada.


O menino de Barão que não esqueceu suas raízes

Grandes histórias da música geralmente são contadas a partir do momento em que o artista alcança o sucesso.

A história de Éder Pinheiro merece ser contada de outra maneira.

Ela começa antes.

Começa em Barão de Melgaço.

Nos festivais de calouros.

Nas primeiras experiências.

Nos pequenos palcos.

Na JL Banda Show.

Em Os Meninos de Barão.

No sonho de cantar.

Depois, transforma-se em projeto com a criação da Banda Novo Som.

E, ao longo de aproximadamente duas décadas, esse projeto cresce até ocupar espaço no cenário musical de Mato Grosso.

Hoje, Éder olha para trás e encontra uma trajetória construída com música, trabalho e persistência.

E olha para frente sabendo que a estrada continua.


UMA HISTÓRIA QUE VIROU PARTE DA CULTURA DE MATO GROSSO

A Comenda Augusto Leverger chega como reconhecimento institucional, mas seu significado é sobretudo humano.

É o reconhecimento de uma cidade a um de seus filhos.

Do lugar onde nasceu o sonho ao palco onde o sonho se transformou em realidade.

Éder Pinheiro não chegou ao sucesso de repente.

Chegou depois de anos de estrada.

Depois de aprender a cantar diante de pequenos públicos.

Depois de experimentar diferentes formações.

Depois de fundar sua própria banda.

Depois de transformar música em profissão e empreendedorismo.

E depois de levar o nome de Barão de Melgaço para muito além de suas fronteiras.

Por isso, quando a Banda Novo Som sobe ao palco, existe muito mais do que música naquela apresentação.

Existe a história de um menino que um dia sonhou em cantar.

Existe a história de um fundador que acreditou em seu próprio projeto.

Existe a história de um artista que ajudou a manter o lambadão em movimento.

E existe a história de Barão de Melgaço sendo levada, através da música, para outros lugares de Mato Grosso.

Agora, a cidade devolve a homenagem.

Ao artista. Ao fundador. Ao empreendedor. E, sobretudo, ao filho de Barão de Melgaço que transformou um sonho de infância em uma trajetória que já faz parte da memória musical de Mato Grosso.

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