O governo federal reduziu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a estimativa para o superávit da balança comercial brasileira em 2026. A retração decorre principalmente das novas projeções para o preço do barril de petróleo no mercado internacional.
Impacto do petróleo nas contas externas
A revisão decorre diretamente da volatilidade nas cotações da commodity energética. No primeiro semestre, após a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, o barril chegou a bater US$ 138 em abril. Embora o tipo Brent opere atualmente em torno de US$ 100, a média esperada diminuiu, impactando tanto as vendas quanto as compras do país.
Como o Brasil atua simultaneamente na exportação de petróleo bruto e na importação de derivados, o recuo nos preços afeta os dois lados da balança. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) recalculou as metas: as exportações passaram de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões, enquanto as importações caíram de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
Desempenho histórico e metas
Mesmo com o corte na projeção, o saldo positivo esperado para 2026 representará uma expansão de 24% em comparação ao resultado consolidado de 2025, ano em que o país fechou com US$ 68,1 bilhões positivos. Caso os números se confirmem, o montante será o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do recorde de US$ 98,9 bilhões alcançado em 2023.
Para atingir a meta atualizada, o país precisa acumular aproximadamente US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro, patamar similar aos US$ 21,8 bilhões registrados no último trimestre do ano anterior.
O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, avaliou que o patamar projetado reflete a estabilidade recente dos indicadores.
“Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, afirmou Brandão.
Balança comercial em setembro
Os dados recentes corroboram o momento positivo do comércio exterior. Em setembro, a balança registrou um saldo positivo de US$ 7,74 bilhões, o que representa um salto de 146,4% frente aos US$ 3,14 bilhões obtidos no mesmo período de 2025. Trata-se do maior resultado mensal desde o mês de junho.
O avanço foi puxado pelo encarecimento dos produtos comercializados, cujos preços subiram 9,9% em média, enquanto o volume embarcado avançou 2,3%. O destaque ficou com o petróleo bruto, cujas vendas externas dispararam 77,3% e somaram US$ 6,49 bilhões no mês passado.














