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Indústria aponta juros altos como principal barreira para financiamento

Levantamento nacional ouviu 1.701 empresas e revela que taxa de frustração na busca por recursos aumentou em relação ao ano anterior

As taxas de juros elevadas continuam sendo o maior entrave para a indústria brasileira conseguir empréstimos, segundo levantamento divulgado recentemente.

Dificuldades nas operações de crédito

Entre as companhias que enfrentaram obstáculos para conseguir financiamento de curto ou médio prazo, 76% destacaram os juros elevados como o principal problema. Nas operações de longo prazo, com vencimento acima de cinco anos, a questão foi mencionada por 69% dos empresários.

O estudo responsável por esses dados ouviu 1.701 companhias do setor industrial em todo o país, abrangendo pequeno, médio e grande portes. Apesar de liderarem o ranking, as taxas perderam um pouco de espaço em comparação com o levantamento prévio, quando eram citadas por 80% das empresas no curto prazo e 71% no longo.

“A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, afirma em nota Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

Outros obstáculos e burocracia

Além das taxas, as exigências de garantias reais representam outra barreira significativa, afetando 33,4% das companhias no curto prazo e 31,5% no longo. A burocracia também foi lembrada por 13,6% dos entrevistados nas operações menores, enquanto a carência insuficiente apareceu para 18,9% no crédito estendido.

O levantamento também apontou que metade do setor sequer tentou buscar recursos. No entanto, entre aquelas que realmente procuraram financiamento, o índice de frustração cresceu: subiu para 24,7% no curto e médio prazo, e alcançou 37,2% nas operações de longo prazo. As empresas de menor porte registraram os maiores índices de recusa.

Uso do crédito para despesas operacionais

Um dado que chamou a atenção dos especialistas foi a utilização de linhas de longo prazo para cobrir despesas cotidianas. Entre as companhias que buscaram esse tipo de operação, 28,7% usaram o recurso para capital de giro, superando o investimento em máquinas e equipamentos, que ficou em 23,6%.

Para melhorar o cenário, o setor avalia que a diminuição de encargos tributários e administrativos seria o caminho ideal para destravar os financiamentos. Outras soluções sugeridas incluem a expansão de linhas públicas e a simplificação das exigências feitas pelos bancos.

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