Mato Grosso enfrenta uma sequência de temporais severos que provocou a queda de 464 postes da rede de energia elétrica nos últimos 10 dias, segundo balanço divulgado pela concessionária Energisa. No acumulado do mês passado, foram 883 estruturas destruídas em todo o Estado, um aumento de 48% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
No balanço dos últimos dez dias, a região Norte concentra o maior número de estruturas destruídas, com 151 postes. No Sudoeste/Noroeste, foram 162; no Araguaia, 65; no Sul, 54; e na região Metropolitana, 32.
Temperaturas acima dos 40°C, alta umidade e a formação de tempestades intensas têm provocado ocorrências em diferentes regiões, exigindo uma operação reforçada para recuperar os trechos danificados e restabelecer o fornecimento. O cenário de instabilidade climática também ocorre sob influência do El Niño, fenômeno que modifica os padrões de temperatura e de distribuição das chuvas. Os ventos chegaram a 90 km/h em algumas regiões.
“O El Niño ocorre pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que modifica a circulação atmosférica e influencia o clima em boa parte do Brasil. Em Mato Grosso, a atenção deve estar voltada às temperaturas elevadas e à irregularidade das chuvas. O calor e a umidade favorecem a formação de instabilidades. Com o calor potencializado pelo fenômeno, essas condições se intensificam. O contraste entre o ar mais frio vindo do Sul e a região central do Brasil, mais quente, favorece ventos mais intensos, chuvas torrenciais e concentradas. Além disso, também temos mais raios”, disse Guilherme Borges, doutor em meteorologista.
Além dos danos provocados diretamente pelos temporais, a onda de calor aumenta o consumo de energia. O uso mais intenso de equipamentos de refrigeração, somado aos estragos provocados pelo clima, cria um cenário que exige resposta rápida e uma operação preparada para atender ocorrências simultâneas.
Durante os temporais, a orientação à população é manter distância de postes e fios que tenham caído. Mesmo quando não há faíscas ou outros sinais aparentes, a rede pode estar energizada. Árvores ou galhos que estejam sobre ou próximos da rede elétrica também não devem ser retirados por conta própria. O recomendado é afastar pessoas e animais do local e acionar a Energisa para que uma equipe especializada faça a avaliação e o atendimento.
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