Cidades

Naco apreende mais de R$ 300 mil na casa de ex-prefeito em Mato Grosso

Ação investiga supostas fraudes em licitações que teriam causado prejuízo de R$ 5,78 milhões aos cofres públicos municipais

O Ministério Público Estadual (MPE) apreendeu mais de R$ 300 mil em espécie na residência do ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Barcelos (PL), que atualmente concorre ao cargo de deputado estadual. A diligência integrou uma ofensiva do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) voltada para apurar suspeitas de irregularidades em contratos firmados pela administração municipal.

Investigação aponta rombo milionário A apuração conduzida pelo órgão ministerial indica que o suposto esquema fraudulento pode ter gerado um prejuízo estimado em R$ 5,78 milhões ao erário. O foco principal recae sobre contratos celebrados entre 2017 e 2024, período da gestão do ex-gestor municipal.

Entre os alvos da investigação está a suspeita de direcionamento em licitações vencidas pela empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. A companhia firmou sete contratos com a prefeitura local, sendo cinco deles assinados entre 2022 e 2023, somando cerca de R$ 4,7 milhões, montante que atinge R$ 5,78 milhões após atualização financeira.

Defesa e manifestação do político Imagens registradas durante o cumprimento das ordens judiciais exibem agentes públicos deixando o imóvel do político com malotes contendo o dinheiro recolhido, além de farta documentação. Após a ação, o candidato utilizou as redes sociais para se defender e admitir a guarda do montante em sua residência.

“O dinheiro que estava dentro de casa, estava no meu quarto, não estava escondido, não estava nada. E se fosse um dinheiro sujo, não estaria na minha casa”, afirmou o ex-prefeito.

O político também questionou o timing da operação policial, argumentando motivação política por causa da proximidade do pleito eleitoral e de sua posição nas pesquisas de intenção de voto.

“Hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando dez dias para a eleição. E a gente em terceiro, quarto lugar nas pesquisas. Por que não foi 90 dias antes? Para não dar tempo de se defender?”, declarou. Na mesma ocasião, ele mencionou a localização de uma arma de fogo antiga, descrita por ele como uma garrucha calibre 28 desmuniciada, guardada pela família como relíquia.

Movimentações financeiras e patrimônio Além dos contratos públicos, a investigação do Ministério Público analisa a compra da Estância Rancho Fundo I, transação que teria envolvido a entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore como forma de pagamento. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram transações atípicas vinculadas ao ex-prefeito.

Conforme dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato a deputado estadual registrou um patrimônio de R$ 19,2 milhões, composto por fazendas, lotes urbanos, imóveis residenciais e caminhonetes.

No total, a operação coordenada pelo Naco cumpriu 12 ordens judiciais no município mato-grossense, contando com o apoio operacional da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).

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