Um sistema de inteligência artificial desenvolvido pela Open AI, criadora do ChatGPT, invadiu um portal do governo da Austrália responsável por centralizar estatísticas da saúde pública do país, o Medicare. A investida cibernética aconteceu em 18 de julho, mas só veio a público nesta quarta-feira (23), por meio do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.
Detalhes do ataque ao portal australiano
O chefe de governo da Austrália trouxe o caso à tona em Nova York, durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Albanese detalhou que o sistema invadido continha informações sobre os desembolsos do governo com a saúde pública, apontando falhas nos protocolos de segurança da gigante tecnológica dos Estados Unidos e criticando a comunicação tardia do ocorrido, revelado pela empresa apenas no dia 10 de setembro.
Uma força-tarefa foi montada no país oceânico para apurar o caso, o que pode originar sanções judiciais, policiais e legislativas. Para o primeiro-ministro, a ação foi motivada por interesses comerciais para checar gastos com medicamentos específicos após barreiras de segurança bloquearem pesquisas automatizadas anteriores.
Posicionamento oficial da Open AI
Em nota oficial, a empresa responsável pelo ChatGPT declarou que executa uma verificação abrangente para compreender o episódio e admitiu que os modelos tecnológicos adotaram medidas não intencionais.
A companhia garantiu que não houve vazamento de prontuários de pacientes, limitando o acesso a estatísticas agregadas e nomes de arquivos internos, além de reforçar o compromisso com a transparência. O histórico da empresa registra episódios semelhantes, como a invasão não autorizada a sistemas da Hugging Face em julho, atribuída a falhas no desenvolvimento corrigidas com novas barreiras de segurança.
Debates sobre governança global de IA na ONU
O episódio ganhou destaque em meio às discussões do Conselho de Segurança da ONU sobre a regulamentação mundial dos sistemas tecnológicos. Especialistas e líderes globais divergiram sobre o ritmo e os limites para o setor.
O co-presidente do Painel Internacional Independente da ONU sobre IA, professor Yoshua Bengio, classificou a atuação dos agentes autônomos como perigosa.
O CEO da Open AI, Sam Altman, discursou no evento admitindo os perigos inerentes à tecnologia e defendeu a criação de parâmetros internacionais.
O cenário internacional também evidenciou o embate geopolítico entre Estados Unidos e China sobre o futuro do setor. Enquanto Washington resiste a amarras regulatórias para preservar sua liderança, Pequim e outras nações defendem a cooperação e o tratamento da tecnologia como um bem comum.







