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Quilombolas buscam reparação após 20 anos de expulsão em MG

MPF negocia acordo bilionário com mineradora canadense após décadas de perdas territoriais e impactos socioambientais.

Duas décadas após perderem suas terras para a instalação de um complexo de mineração de ouro e prata em Paracatu, Minas Gerais, centenas de famílias quilombolas buscam reparação judicial e acordos indenizatórios que podem alcançar até R$ 1,2 bilhão.

Impacto histórico nas comunidades

A multinacional canadense Kinross Gold Corporation instalou estruturas e barragens de rejeitos na região que abrigava os territórios tradicionais, resultando na desterritorialização de cerca de 1,3 mil famílias distribuídas entre as comunidades de Machadinho, Amaros e São Domingos.

O avanço das operações comprometeu o modo de vida tradicional de agricultores e garimpeiros artesanais, que relatam perdas culturais e materiais irreparáveis ao longo de gerações.

Negociação do Ministério Público Federal

Diante do impasse jurídico e de decisões desfavoráveis em instâncias inferiores, o procurador regional da República José Adércio Leite Sampaio intensificou as tratativas para viabilizar um entendimento formal com a empresa mineradora, com expectativa de definição até o final de novembro.

O processo de mediação envolve reuniões com centenas de moradores locais e visa assegurar compensações financeiras e salvaguardas contra os danos gerados pelas atividades extrativas.

Riscos ambientais e volumetria de rejeitos

Perícias conduzidas pelo órgão ministerial apontaram a presença de níveis elevados de arsênio em amostras biológicas de residentes e no material particulado em suspensão no ar, decorrentes da movimentação da mina Morro do Ouro.

A capacidade licenciada de armazenamento de resíduos da operação mineira supera a marca de um bilhão de metros cúbicos, gerando preocupações constantes quanto à segurança e à saúde respiratória da população vizinha.

Resistência cultural e luta por direitos

Apesar da fragmentação territorial e da dispersão de moradores em áreas urbanas e municípios adjacentes, as lideranças comunitárias mantêm viva a memória ancestral e preservam manifestações culturais tradicionais, a exemplo da caretagem.

Enquanto os processos de regularização fundiária seguem pendentes nos órgãos competentes, a mobilização jurídica representa a esperança de justiça para descendentes que cresceram ouvindo relatos sobre a terra perdida.

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