O resultado das eleições deste domingo nos deixa uma reflexão importante sobre o Brasil que queremos construir e, principalmente, sobre a mentalidade que desejamos para as próximas gerações.
Infelizmente, ainda existem pessoas que parecem ter se acostumado a viver na escassez, acreditando que trabalhar apenas para pagar as contas e sobreviver até o fim do mês é o suficiente. Pessoas que, muitas vezes, deixam de enxergar o potencial de crescimento que existe quando há oportunidades, liberdade econômica e incentivo ao empreendedorismo.
Não existe vergonha alguma em ganhar um salário mínimo. Vergonha seria desrespeitar quem trabalha honestamente para sustentar sua família. O problema está em transformar a sobrevivência em um objetivo definitivo, como se desejar prosperar, conquistar patrimônio e oferecer uma vida melhor aos filhos fosse um privilégio reservado a poucos.
É justamente nesse ponto que precisamos discutir o papel da política.
A direita defende, em suas diferentes correntes, princípios como liberdade econômica, valorização do trabalho, responsabilidade fiscal, empreendedorismo e redução dos obstáculos que dificultam a vida de quem quer produzir e crescer. A ideia é simples: o Estado deve garantir serviços públicos essenciais, segurança jurídica e oportunidades, sem sufocar quem trabalha, investe, empreende e gera empregos.
Como podemos esperar que uma família prospere quando uma parcela significativa do esforço de quem produz é consumida por impostos, burocracia e custos que dificultam o crescimento dos pequenos negócios? Como incentivar alguém a empreender se o caminho para abrir e manter uma empresa é tão complicado?
O Brasil precisa valorizar quem acorda cedo, quem abre as portas do próprio negócio, quem contrata funcionários e quem assume riscos para construir algo melhor. Precisamos de um ambiente em que o mérito, a dedicação e a iniciativa sejam reconhecidos, e não tratados com desconfiança.
Isso não significa ignorar os mais pobres ou acreditar que todos partem das mesmas condições. Pelo contrário: quem realmente deseja combater a pobreza precisa defender educação de qualidade, qualificação profissional, segurança, oportunidades de emprego e políticas sociais eficientes, capazes de amparar quem precisa e ajudar as pessoas a conquistar autonomia.
Assistência social é importante, mas oportunidade para crescer também é. O objetivo deve ser permitir que cada vez mais famílias tenham condições de caminhar com as próprias pernas, sem depender permanentemente de auxílios para sobreviver.
O que me preocupa é quando o debate político se transforma em uma disputa de torcida, na qual algumas pessoas defendem partidos sem questionar resultados, prioridades ou consequências econômicas. Nenhum político deveria estar acima das perguntas: o trabalhador está conseguindo comprar mais? O jovem tem oportunidades? O empreendedor consegue crescer? As famílias estão conquistando mais segurança e qualidade de vida?
Não podemos confundir a defesa dos mais pobres com a perpetuação da pobreza. O verdadeiro compromisso deveria ser criar condições para que as pessoas deixem de precisar de ajuda porque conquistaram oportunidades para melhorar de vida.
E, independentemente do resultado das urnas, precisamos continuar defendendo nossas convicções com argumentos, responsabilidade e respeito democrático. A democracia não exige que todos pensem igual, mas exige que tenhamos disposição para discutir o futuro do país.
Eu acredito em um Brasil em que o cidadão não precise se conformar em apenas sobreviver, mas tenha liberdade para trabalhar, empreender, conquistar seu patrimônio e prosperar. Um Brasil em que o Estado seja um instrumento de desenvolvimento, e não um obstáculo para quem quer crescer.
Porque não basta perguntar como vamos sobreviver até o próximo mês. Precisamos perguntar que oportunidades estamos construindo para os próximos dez, vinte ou trinta anos.
O Brasil não precisa escolher entre combater a pobreza e incentivar a prosperidade. Precisa fazer as duas coisas. E, para isso, precisamos de menos conformismo, mais responsabilidade, mais liberdade e uma política comprometida com resultados reais na vida das famílias brasileiras.
Pedro Mendes
Ex Presidente do Partido Progressista Jovem.















