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“Tem que separar direita do bolsonarismo”, diz deputada eleita pelo PT em Mato Grosso

A deputada federal eleita em Mato Grosso, Rosa Neide, com mais de 140 mil votos e presidente do PT no Estado, fez duras críticas ao bolsonarismo após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao Só Notícias, ela defendeu o isolamento político de grupos que considera extremistas e afirmou que o país precisa retomar o debate democrático entre diferentes correntes políticas. “Eu acho que a gente tem que separar a partir de agora o que é direita e o que é bolsonarismo. Bolsonarismo parece uma seita do mal”, “as pessoas ficam doentes, eu vejo as pessoas aí dizendo: demita quem é de esquerda, alguns falando: manda matar”, “a gente sabe com quem são os compromissos da família Bolsonaro: pessoas acusadas das situações mais ruins que um país pode ter, pessoas ligadas à milícia, ligadas ao crime organizado”, criticou.

A deputada defendeu que a direita tradicional mantenha sua participação na disputa política, mas sem associação com movimentos que, em sua avaliação, incentivam a intolerância. “Eu acho que é o momento da população ver o que é direita e quem é de direita permanecer com as suas ideologias, suas defesas, seu projeto de país que eles defendam, que façam a disputa. Isso tudo é democrático e a gente respeita” e condenou as listas de boicote divulgadas após as eleições, que identificam empresas conforme o suposto posicionamento político de seus proprietários. “Eu tenho um comércio, o comércio recebe um alvará para atender a população. O comércio não é para atender a direita e a esquerda”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eles estão exatamente no mesmo modelo do nazismo. Tudo que o nazismo fez, eles querem reproduzir no Brasil. E eu tenho medo dessa gente. Eu tenho medo, porque o nosso povo precisa viver, viver bem, viver em paz”, declaro.

Questionada sobre as dificuldades do PT para conquistar mais espaço em Mato Grosso, onde o eleitorado é majoritariamente de direita, Rosa Neide reconheceu “falhas históricas” na divulgação das ações do governo Lula. Segundo ela, investimentos realizados com recursos da União frequentemente acabam sendo associados exclusivamente ao governo estadual ou às prefeituras. A deputada citou investimentos em unidades de saúde, ambulâncias, equipamentos médicos, infraestrutura e habitação como exemplos de ações federais que, em sua avaliação, precisam ser mais divulgadas. Entre os projetos mencionados estão a duplicação da BR-163, com recursos do BNDES e apoio do governo estadual, mais de 40 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida e o Hospital Júlio Müller, com 350 leitos, que contaram com recursos federais. “Mas eu creio que é um erro, um erro histórico do partido PT, que é aquela coisa de ser muito republicano. Ah, passou o recurso para o governo do Estado, aí o governo do Estado disse que foi ele que fez. Passou para uma prefeitura, a prefeitura assume como dela.”

Ela pretende intensificar a comunicação digital, levando diretamente aos eleitores mato-grossenses informações sobre obras, programas e serviços financiados pela União. “A gente vai fazer um trabalho muito forte de rede social para chegar na mão das pessoas, no seu celular, as informações de tudo que o governo está fazendo.”

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