O plantio da soja começou de forma lenta e escalonada em Gaúcha do Norte, em Mato Grosso, diante da distribuição irregular das chuvas. Enquanto algumas propriedades já colocaram as máquinas em campo, outras ainda aguardam umidade suficiente para iniciar a semeadura.
A expectativa do Sindicato Rural é que a oleaginosa ocupe aproximadamente 230 mil hectares no município na safra 2026/27. Até agora, porém, a estimativa é de que apenas 5% dessa área tenha sido plantada.
O atraso ocorre em um cenário de solo seco e temperaturas elevadas. Em uma das propriedades, foram registrados até 65°C na superfície do solo, enquanto o acumulado desde o início de setembro chegou a cerca de 80 milímetros.
Na fazenda do produtor rural Adalberto Grando, o plantio começou pelas áreas irrigadas. Dos 2,1 mil hectares que serão cultivados com soja nesta safra, 600 hectares contam com irrigação e já foram semeados. “A chuva está muito escalonada ainda”, resume.
Janelas de umidade definem avanço
Nas áreas de sequeiro, a decisão de semear depende da ocorrência de chuvas capazes de garantir umidade suficiente para a emergência das plantas. Parte desses talhões chegou a receber sementes na tentativa de aproveitar os primeiros volumes registrados, mas o estabelecimento das plantas ainda é acompanhado.
“A gente tinha plantado até algumas alcinhas fora da área irrigada para aproveitar, não estava nascendo, vamos ver como vai ficar o estande, como vai ficar a qualidade do plantio”, relata Grando ao Patrulheiro Agro.
A propriedade tem 25% da área destinada à soja sob irrigação. Mesmo com a tecnologia disponível e a proteção da palhada, o produtor afirma que a condição climática interfere no início da lavoura.
“Falar que não tem impacto isso é não entender a sistemática, porque por mais que a gente tenha uma proteção de palhada, por mais que a gente tenha uma estrutura melhor, o impacto ainda existe”, pontua.
Em outras propriedades do município, a semeadura ainda não começou. O avanço, portanto, ocorre conforme as oportunidades de umidade, enquanto os produtores avaliam o risco de comprometer a formação inicial da lavoura.


Custo elevado aumenta cautela
Além da condição climática, o custo da safra pesa na decisão. Grando calcula que a implantação da soja ultrapasse R$ 5 mil por hectare, reduzindo a margem para erros em uma temporada de despesas elevadas.
“É um dilema em alguns momentos. Simplesmente a gente olha e pede a Deus, porque é risco de plantar e plantar mal a soja. Nós estamos falando de um custo de mais de R$ 5 mil por hectare”, afirma.
O produtor também chama atenção para o impacto que um atraso na soja pode provocar sobre o milho segunda safra. “Não plantar o milho na janela certa, nós estamos falando em ter uma produtividade que não paga nem a conta”, acrescenta.
A combinação de despesas elevadas e risco climático aumenta a preocupação com a tomada de decisão. “As margens na agricultura estão tão apertadas. Qualquer erro, qualquer problema que der a gente não consegue mais recuperar”, frisa Grando ao Canal Rural Mato Grosso.
Apesar da apreensão, ele considera que o cenário atual não deve necessariamente repetir o observado em 2015/16. Naquele período, segundo o produtor, a propriedade teve produtividade de 37 sacas de soja por hectare e perdeu a safrinha de milho.
“Todo mundo está jogando para cima dessa questão do super El Niño, comparando com 2015/16. Nós aqui em 2015/16 nós produzimos 37 sacas de soja de produtividade por hectare e perdemos 100% da safrinha de milho”, relembra.


Município aguarda regularização
Em outra propriedade em Gaúcha do Norte, o agricultor Josenei Zemolin ainda não iniciou a semeadura dos 1.080 hectares previstos com soja. A falta de umidade e as temperaturas elevadas mantêm as máquinas paradas.
“Nada, e as chuvas estão bem escassas, o solo está seco, o clima, temperatura muito quente e não tem condição de dar andamento no plantio”, relata à reportagem.
Para ele, a decisão também precisa considerar o custo da temporada. “Esse ano para nós é um custo bastante puxado, praticamente é uma das safras mais caras que Mato Grosso já plantou”, afirma.
A estratégia, neste momento, é aproveitar rapidamente os períodos de chuva para colocar as máquinas em operação. “Na hora que aparecer a chuva você vai aproveitar essa umidade que tem, talvez vai ter que tocar 24 horas para aproveitar a umidade”, explica Zemolin.
O presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, Valdomiro Schulz, estima que apenas cerca de 5% da área do município tenha sido plantada até agora.
“Gaúcha do Norte o que tem plantado é muito pouco. Poucas fazendas plantaram. Eu mesmo não plantei nada porque na nossa área não teve umidade suficiente ainda”, comenta.
A expectativa entre os produtores é que a chuva se regularize e permita acelerar os trabalhos. Schulz salienta que a retomada depende diretamente de uma melhora nas condições climáticas.
“Acredito que Deus vai mandar chuva o suficiente para que possamos fazer o plantio e acreditamos que daqui para frente a chuva normaliza e os plantios vão se normalizar e logo logo nós vamos estar com uma área plantada dentro do nosso município”, conclui.
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Fonte: agro.mt















